Razões para se adotar VoIP
• Otavio Lazarini
Surgirão 284 milhões de referências no Google se você pesquisar o
acrônimo “VOIP”. Os números impressionam: eram 16 milhões de
usuários em 2005, e serão 55 milhões em 2009, sem mencionar a
convergência de callcenters IP, wireless IP com mobilidade,
flexibilidade de aplicações, interoperabilidade entre plataformas,
entre outros benefícios. Tanta unanimidade em torno de uma
tecnologia requer análises menos apressadas. Quando VoIP se tornou
uma realidade comercial há pouco tempo, a principal motivação era
financeira. De fato foi o baixo custo das ligações VoIP, em
comparação com a telefonia convencional, que fez muitas empresas
migrarem.
Mas passados alguns (poucos) anos, isso mudou, e o retorno sobre
o investimento (ROI) nessa tecnologia vem perdendo destaque no
elenco de motivações, abrindo espaço para outros argumentos, como
produtividade, flexibilidade, e integração com sistemas legados.
Prova disso está na recente radiografia da Webtorials (www.webtorials.com)
patrocinada pela Nortel sobre o estado atual do mercado VoIP, onde
apenas 30% dos entrevistados provou um ROI favorável ou um TCO
(custo sobre a propriedade) menor.
Mesmo assim, sistemas VoIP crescem com muita velocidade,
comprovando a tese de que não é uma tecnologia que está substituindo
outra apenas por ser mais barata. É também, mas os outros benefícios
agregados estão pesando bem mais na balança das empresas que
migraram.
A pesquisa, de fevereiro deste ano, foi realizada entre agosto e
setembro de 2005 com 375 profissionais da área de TI (a maior parte
deles sendo usuários finais, metade nos EUA e o resto de várias
partes do mundo), abordou especificamente planos, percepções e
avaliações sobre diversos projetos de migração da telefonia
convencional para VoIP em empresas, instituições de ensino, órgãos
do governo e outras instituições. Os resultados foram cotejados com
pesquisas semelhantes, feitas em 2002, 2003 e 2004. demonstrando
claramente que a motivação principal para usar telefonia IP mudou
bastante.
As tendências de mercado se mantiveram estáveis e se consolidaram
de 2004 para cá, sinalizando um amadurecimento e um equilíbrio
maiores. Isso é bom já que mudanças drásticas indicariam um mercado
mais volátil e instável.
Na última edição do trabalho foram adicionadas questões para
“afinar” a visão do mercado em algumas áreas que ainda não haviam
sido tocadas nas pesquisas anteriores. Algumas dessas questões
trouxeram conclusões interessantes. Entre elas, o trabalho menciona:
• Houve um aumento, ainda que menor, na satisfação dos usuários.
O resultado é diferente do dos outros anos, quando praticamente não
houve mudança negativa ou positiva no quesito.
• Mostrar ROI apenas na questão do custo financeiro deixou de ser
crítico. Uma nova categoria — “Funcionários ganham com mobilidade e
flexibilidade” - foi incluída, tendo sido classificada como o
principal motivador e o principal benefício de uma migração.
• Os maiores inibidores de investimentos em VoIP continuam
associados à (falta de) segurança e à inexistência de sistemas que
gerenciem e resolvam satisfatoriamente a qualidade das soluções
VoIP.
• Questões associadas ao SIP (Session Initiation Protocol, ou
protocolo de inicialização da sessão) são vistas como críticas,
especialmente para a interoperabilidade.
• Entre outras aplicações específicas, a falta de um sistema
unificado de mensagens é apontada como uma lacuna séria. Dentro do
espectro de aplicações existentes, a extensão dos benefícios
estimados variou bastante.
Muitas decisões relativas à implementação estão sendo tomadas ora
por uma combinação dos sistemas tradicionais e os sistemas de dados
adotados pelas empresas, ora por uma escolha técnica decorrente da
arquitetura de sistemas. Por outro lado, quem respondeu à pesquisa
não gosta da idéia de ter apenas um fornecedor para sistemas e VoIP,
e a maioria prefere operar e gerenciar seus próprios equipamentos.
A verdade é que VoIP está se tornando o padrão de facto para
comunicações de voz, e embora diversos óbices ainda se interponham
entre a situação atual e a implementação final, nenhum deles é
considerado forte o bastante para reverter a decisão de migrar.
Resumindo: a dúvida, portanto, presente em todas as discussões de
alguns anos atrás – “investir ou não em VoIP?” – foi substituída
gradual e irreversivelmente por outra: quando começar?
• Otavio Lazarini é Gerente Geral da Westcon Brasil desde sua
criação, em 1998, mestre em administração de empresas pela Krannert
School of Business, Purdue University - EUA (1997), engenheiro de
computação pela Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(1991).