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O Roi do Voip
Além dos números A garantia de sucesso de uma implantação de VoIP passa pelo cálculo exato do retorno do investimento. Mas isso não é tudo. É preciso saber fazer as perguntas certas para não errar no resultado.

Voip no Brasil
A IDC Brasil acaba de concluir o estudo "Brazil VoIP and its Impact on Communications Industry 2005", em que avaliou o cenário atual de telecomunicações e as principais tendências da tecnologia VoIP no País.

Razões para se adotar Voip.
Ao retorno sobre o investimento (ROI) nessa tecnologia vem perdendo destaque no elenco de motivações, abrindo espaço para outros argumentos, como produtividade, flexibilidade, e integração com sistemas legados.

Anatel esclarece o uso de Voip
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) esclarece que não há restrição regulamentar que impeça uma prestadora de Serviço de Comunicação Multimídia
Razões para se adotar VoIP • Otavio Lazarini

Surgirão 284 milhões de referências no Google se você pesquisar o acrônimo “VOIP”. Os números impressionam: eram 16 milhões de usuários em 2005, e serão 55 milhões em 2009, sem mencionar a convergência de callcenters IP, wireless IP com mobilidade, flexibilidade de aplicações, interoperabilidade entre plataformas, entre outros benefícios. Tanta unanimidade em torno de uma tecnologia requer análises menos apressadas. Quando VoIP se tornou uma realidade comercial há pouco tempo, a principal motivação era financeira. De fato foi o baixo custo das ligações VoIP, em comparação com a telefonia convencional, que fez muitas empresas migrarem.

Mas passados alguns (poucos) anos, isso mudou, e o retorno sobre o investimento (ROI) nessa tecnologia vem perdendo destaque no elenco de motivações, abrindo espaço para outros argumentos, como produtividade, flexibilidade, e integração com sistemas legados.

Prova disso está na recente radiografia da Webtorials (www.webtorials.com) patrocinada pela Nortel sobre o estado atual do mercado VoIP, onde apenas 30% dos entrevistados provou um ROI favorável ou um TCO (custo sobre a propriedade) menor.

Mesmo assim, sistemas VoIP crescem com muita velocidade, comprovando a tese de que não é uma tecnologia que está substituindo outra apenas por ser mais barata. É também, mas os outros benefícios agregados estão pesando bem mais na balança das empresas que migraram.

A pesquisa, de fevereiro deste ano, foi realizada entre agosto e setembro de 2005 com 375 profissionais da área de TI (a maior parte deles sendo usuários finais, metade nos EUA e o resto de várias partes do mundo), abordou especificamente planos, percepções e avaliações sobre diversos projetos de migração da telefonia convencional para VoIP em empresas, instituições de ensino, órgãos do governo e outras instituições. Os resultados foram cotejados com pesquisas semelhantes, feitas em 2002, 2003 e 2004. demonstrando claramente que a motivação principal para usar telefonia IP mudou bastante.

As tendências de mercado se mantiveram estáveis e se consolidaram de 2004 para cá, sinalizando um amadurecimento e um equilíbrio maiores. Isso é bom já que mudanças drásticas indicariam um mercado mais volátil e instável.

Na última edição do trabalho foram adicionadas questões para “afinar” a visão do mercado em algumas áreas que ainda não haviam sido tocadas nas pesquisas anteriores. Algumas dessas questões trouxeram conclusões interessantes. Entre elas, o trabalho menciona:

• Houve um aumento, ainda que menor, na satisfação dos usuários. O resultado é diferente do dos outros anos, quando praticamente não houve mudança negativa ou positiva no quesito.

• Mostrar ROI apenas na questão do custo financeiro deixou de ser crítico. Uma nova categoria — “Funcionários ganham com mobilidade e flexibilidade” - foi incluída, tendo sido classificada como o principal motivador e o principal benefício de uma migração.

• Os maiores inibidores de investimentos em VoIP continuam associados à (falta de) segurança e à inexistência de sistemas que gerenciem e resolvam satisfatoriamente a qualidade das soluções VoIP.

• Questões associadas ao SIP (Session Initiation Protocol, ou protocolo de inicialização da sessão) são vistas como críticas, especialmente para a interoperabilidade.

• Entre outras aplicações específicas, a falta de um sistema unificado de mensagens é apontada como uma lacuna séria. Dentro do espectro de aplicações existentes, a extensão dos benefícios estimados variou bastante.

Muitas decisões relativas à implementação estão sendo tomadas ora por uma combinação dos sistemas tradicionais e os sistemas de dados adotados pelas empresas, ora por uma escolha técnica decorrente da arquitetura de sistemas. Por outro lado, quem respondeu à pesquisa não gosta da idéia de ter apenas um fornecedor para sistemas e VoIP, e a maioria prefere operar e gerenciar seus próprios equipamentos.

A verdade é que VoIP está se tornando o padrão de facto para comunicações de voz, e embora diversos óbices ainda se interponham entre a situação atual e a implementação final, nenhum deles é considerado forte o bastante para reverter a decisão de migrar.

Resumindo: a dúvida, portanto, presente em todas as discussões de alguns anos atrás – “investir ou não em VoIP?” – foi substituída gradual e irreversivelmente por outra: quando começar?

• Otavio Lazarini é Gerente Geral da Westcon Brasil desde sua criação, em 1998, mestre em administração de empresas pela Krannert School of Business, Purdue University - EUA (1997), engenheiro de computação pela Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1991).

 
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