O ROI DO VOIP

Além dos números A garantia de sucesso de uma implantação de VoIP
passa pelo cálculo exato do retorno do investimento. Mas isso não é
tudo. É preciso saber fazer as perguntas certas para não errar no
resultado
Nivaldo Foresti
CIO MAGAZINE

Em tempos de vacas magras, justificar um investimento, seja ele qual
for, é uma tarefa hercúlea. Não basta afirmar que vai otimizar
recursos e cortar custo. Tem que provar. No caso de implementação de
VoIP (Voz sobre IP) não é diferente.
Em um mundo onde as equipes sempre diminuem, os projetos aumentam e
as prioridades mudam rapidamente, calcular o retorno do investimento
– o chamado ROI – de VoIP é importante para elevar a importância do
projeto.

Mas, onde se concentrar? Quais os pontos importantes que devem ser
debatidos? O que a minha empresa perde ou ganha com isso? Quais são
armadilhas escondidas nos números? Para entender melhor essas
questões listamos as principais perguntas que você deve fazer para
encontrar as respostas certas.
1) Olhar para dentro ou para fora?
Hoje, várias empresas emergentes no mercado de telecomunicações
estão oferecendo serviços de ligações de longa distância, DDD e DDI,
usando a tecnologia de VoIP. Pode ser um bom começo para seu
projeto.
Neste caso, o trabalho fica bem mais simplificado. Nada de
investimentos, pois as empresas que concorrem nesse setor oferecem
os equipamentos. E eles vão desde um adaptador para seu telefone até
um gateway para conectar na central telefônica. Basta fazer as
contas.
Quanto sua empresa gasta em ligações estaduais e
internacionais versus o custo de parte da sua banda larga de acesso
a internet. Aqui vale contabilizar também as ligações para suas
filiais.
Os novos sistemas são inteligentes o suficiente para perceber se a
internet está congestionada e fazer a ligação por vias
convencionais, se esse for o caso. Claro, que mesmo assim, você pode
perder na qualidade e também não obter o resultado esperado se sua
banda de acesso a internet não for suficientemente adequada as suas
necessidades. Mas, não esqueça de que quando você não está falando
pelo sistema, a banda estará disponível para ser utilizada para o
acesso normal à rede mundial.
Praticamente todos os PBXs têm placas compatíveis para se conectar a
esse tipo de serviço. A economia pode chegar a 30 ou 40% dos seus
gastos com ligações DDD e DDI da sua conta telefônica. Mas, quando é
o caso de justificar uma troca de sua tecnologia de voz para VoIP, a
justificativa é mais complicada, mas não menos vantajosa. E não se
engane. Ela se paga no decorrer do tempo. O problema é saber em que
tempo. Para pequenas e médias empresas, ou para filiais ou novos
endereços, é mais fácil fazer o custo x benefício e descobrir
enquanto tempo vai acontecer o retorno do investimento.
Aí vem uma enxurrada de perguntas: Qual é o custo percentual de suas
chamadas telefônicas entre filial-filial, matriz-filial? Qual é o
percentual de custo de suas chamadas DDD e DDI em cada localidade?
Seu negócio usa tecnologias modernas, como CTI (Computer Telephony
Interface) em seu Call Center? Qual é ainda a vida útil de seu PBX?
Quão importante é a qualidade de voz e a consistência dela para seu
negócio? Qual é a qualidade de sua infra-estrutura de rede? E da sua
WAN (Wide Área Network)?
Prepare sua calculadora, ou melhor, seu Excel, pois a quantidade de
informações necessárias para se chegar a um ROI é imensa.
2) Qual é o custo percentual de suas chamadas telefônicas entre
filial-filial, matriz-filial? Qual é o percentual de custo de suas
chamadas DDD e DDI em cada localidade?
Essas questões sozinhas podem justificar a aquisição de um sistema
de VoIP. Empresas com cadeias de lojas ou franquias irão justificar
largamente a utilização de VoIP em suas lojas, desde que a
comunicação entre elas seja, digamos, acima de 30% do seu custo de
telefonia e elas estejam dispersas geograficamente e se comunicando
por DDD e DDI com clientes ou com a matriz ou outras filiais,
representando acima de 25% do custo total de telefonia. Claro que
isso requer uma análise criteriosa do tráfego e que a pergunta
abaixo esteja respondida satisfatoriamente.
3) Quão importante é a qualidade de voz e a consistência dela para
seu negócio? Qual é a qualidade de sua infra-estrutura de rede? E da
sua WAN (Wide Área Network)?
A sua rede local ou WAN pode conseguir enviar os dados em grandes
velocidades, mas não consegue trocar a ordem de chegada dos pacotes.
Isso pode acarretar em perdas ou atrasos e arruinar a qualidade da
voz. Técnicas de QoS (Quality of Service) devem ser suportadas em
seus switches e roteadores. Isso pode representar um maior
investimento, dependendo do tamanho de sua rede.
Outro problema é o risco no sistema de suporte a falta de força. Com
os telefones isso está resolvido pela própria empresa prestadora do
serviço, mas com a rede fica a cargo da própria empresa manter
sistemas de no-breaks e estabilizadores para evitar a queda da
força.
Acrescente mais reais aos seus investimentos. Por fim, mesmo
com QoS e no-breaks instalados a qualidade pode sofrer quando
trafegando pela internet. Caso a qualidade de voz seja um item
crítico pense em aumentar o seu SLA com as operadoras que você usa,
acrescentado mais alguns números ao seu custo de operação.
4) Seu negócio usa tecnologias modernas, como CTI (Computer
Telephony Interface), em seu Call Center?
Nem tudo são custos e investimentos. Nesse caso, a economia pode ser
grande. Se eles estão distribuídos geograficamente, então, parece
não haver coisa melhor para o corte de custos operacionais. Além
disso, os agentes dos (postos de atendimento) podem usar os novos
recursos, tais como sistemas de ramais virtuais para melhorar o
serviço ao cliente ou sistemas de transcrições de dados
automatizados para diminuir o tempo de atendimento ou aumentar a
capacidade do Call Center.
E não é só esse o caso. Os dados de monitoração podem ser medidos
com mais clareza, a integração com os dados dos clientes fica mais
fácil, novos formas de convergências como emails e voicemails ficam
disponíveis e novos recursos podem ser adicionados aos seus
funcionários, tais como o escritório virtual. Ele pode estar em
qualquer parte do mundo ou em casa e ainda vai receber a sua ligação
ou acessar seus emails e documentos para continuar o seu trabalho.
Esses são fatores que podem e devem ser contabilizados na sua
planilha de ROI.
Do lado do barateamento do custo operacional de sua empresa,
pesquisas indicam que o postos em TI ou de telecomunicações podem
ser cortados e nos staffs de recepção das empresas, onde
recepcionistas podem atender a mais de uma localidade
simultaneamente. A economia com pessoal é multifacetada e é
imperativo que as empresas façam um levantamento detalhado de cada
atividade para conseguir reduções expressivas no custo.
A conta parece ser complicada, mas os resultados podem significar um
bônus no final do ano.